Seus dedos compridos ainda tocam os meus. Suas pernas pouco mais longas ainda se esticam para alcançar pequenas alturas. E ainda é em mim que encontra abrigo, afago e refúgio.

O instante escapa. E o registro quer se dar entre suspiros e apertos no peito. Ele vai. Escorre. Devora. E você fica. A morte é um mistério, mas mais profundo e denso é esse crescer exageradamente rápido, que de tão rápido, as vezes se faz desnecessário.

Filósofos e poetas disseram que o dia não se repete e que a vida é um sopro. Voltar no tempo é um sonho inatingível e talvez a única motivação do caminhar rumo a um desconhecido amanhã, com a memória cheia de vícios do tempo, a consciência oscilando entre o peso do passado e a dor do que não volta e a alegria do crescer rumo a mais um dia, que nunca se sabe ser o último, apenas o único.

Aqui fala-se sobre o tempo, aqui dança-se o tempo, aqui toca-se em sutilezas do tempo, que, assim como o vento, necessita de imagens para além de sua própria para se mostrar.

Desfrutemos.
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